Do estaleiro ao fundo do mar: a engenharia por trás da instalação de uma jacket offshore
Para quem observa de fora, pode parecer apenas uma enorme estrutura metálica sendo lançada de uma balsa para o oceano. Para quem conhece a indústria offshore, porém, cada movimento representa anos de engenharia, planejamento, cálculos estruturais e preparação operacional. Estamos falando da jacket, a estrutura metálica que funciona como base de determinadas plataformas fixas offshore. Antes de chegar à posição definitiva no fundo do mar, essa estrutura passa por uma sequência de operações de alta complexidade.
Tudo começa ainda em terra
Depois de fabricada, a jacket precisa ser transferida para uma embarcação ou balsa preparada para seu transporte. Essa etapa é conhecida como loadout.
A estrutura é então fixada para suportar os esforços da navegação durante o deslocamento até o campo offshore. O transporte marítimo também exige planejamento específico, considerando as características da estrutura, da embarcação e das condições ambientais previstas.
Quando o conjunto chega à região de instalação, começa uma das fases mais impressionantes de toda a operação.
O lançamento
Em jackets de grandes dimensões, uma das técnicas utilizadas é o lançamento a partir de uma launch barge.
A embarcação possui sistemas específicos, como skid beams e rocker arms, que permitem que a estrutura deslize de maneira planejada pela popa da balsa até entrar na água.
Não se trata simplesmente de “jogar” milhares de toneladas de aço no oceano.
O comportamento da estrutura e da embarcação durante o lançamento precisa ser previamente analisado. Peso, centro de gravidade, flutuabilidade, esforços estruturais, movimento da balsa e trajetória da jacket fazem parte dessa engenharia.
Ao entrar na água, a estrutura precisa manter condições adequadas de flutuação para que a próxima etapa possa acontecer.
Da posição horizontal para a vertical
Depois do lançamento vem o upending.
É o processo de levar a jacket de sua posição de flutuação para a posição vertical.
Dependendo do projeto, essa operação pode envolver inundação controlada de compartimentos da própria estrutura, utilização de embarcações especializadas e apoio de sistemas de içamento.
Pouco a pouco, aquela gigantesca estrutura que estava praticamente deitada no oceano começa a assumir a posição para a qual foi projetada.
O próximo destino é o fundo do mar.
Posicionamento e fundação
Com a jacket verticalizada, começa o trabalho de posicionamento no local determinado pelo projeto.
Depois de assentada e nivelada, entram em cena as fundações.
Estacas de aço podem ser instaladas através das pernas ou de sleeves da jacket e cravadas no solo marinho, criando a ligação estrutural necessária para manter a plataforma em sua posição.
Em determinados projetos, também é realizado o grouting, preenchendo espaços entre elementos da fundação e da estrutura para aumentar a rigidez da conexão.
Só depois dessas etapas a base está preparada para receber os módulos superiores da plataforma — os chamados topsides.
O que um vídeo de poucos minutos não mostra
Por trás dessas imagens existem engenheiros estruturais, engenheiros navais, profissionais de instalação submarina, marinheiros, operadores de guindastes, equipes de survey, ROV, logística, planejamento, segurança e dezenas de outras especialidades trabalhando de maneira integrada.
Uma operação desse porte exige controle rigoroso de engenharia e execução.
Porque no offshore, quando estruturas gigantescas precisam ser movimentadas sobre uma embarcação, lançadas ao oceano, verticalizadas e instaladas no fundo do mar, praticamente nada pode depender do improviso.
É engenharia aplicada em uma escala que poucas indústrias conseguem proporcionar.
Mundo Offshore
Mais do que mostrar as grandes operações da indústria, queremos explicar o trabalho, a tecnologia e, principalmente, os profissionais que tornam cada uma delas possível.
Sobre o autor
