OceanPact ganha escala bilionária e consolida presença entre as gigantes brasileiras do offshore
Mais de 70 embarcações, mais de 5 mil colaboradores, receita anual superior a R$ 4 bilhões e uma carteira contratada acima de R$ 14 bilhões. Esses números ajudam a dimensionar o novo momento da OceanPact, companhia brasileira que vem ampliando sua presença em praticamente todas as frentes da indústria marítima e offshore.
O crescimento passa por contratos bilionários, expansão da frota, operações submarinas, descomissionamento, monitoramento ambiental, infraestrutura portuária e manutenção naval.
Em setembro de 2026, a OceanPact concluiu a combinação de negócios com a CBO, após aprovação do Cade e cumprimento das demais condições da operação. Com a integração, a unidade de navegação passou a se chamar OceanPact CBO.
Segundo a companhia, a estrutura combinada passou a operar 70 embarcações, empregando mais de 5 mil pessoas, com receita anual superior a R$ 4 bilhões e backlog contratado acima de R$ 14 bilhões. OceanPact
Contratos de R$ 3,2 bilhões para operações submarinas
Um dos maiores contratos recentes da companhia foi assinado com a Petrobras.
São quatro contratos que totalizam aproximadamente R$ 3,2 bilhões para afretamento, por quatro anos, dos RSVs Parcel do Bandolim, Parcel das Timbebas, Parcel das Paredes e Parcel dos Reis.
As embarcações serão empregadas em operações submarinas apoiadas por ROVs, incluindo inspeção, manutenção, instalação e remoção de equipamentos.
Os veículos submarinos remotamente operados têm capacidade para atuar em profundidades de até 3 mil metros.
Nesse modelo, a OceanPact será responsável não apenas pelas embarcações, mas também pela operação dos ROVs e das equipes envolvidas. OceanPact
Mais de R$ 1 bilhão em descomissionamento
Outro mercado que ganhou peso na estratégia da companhia é o descomissionamento offshore.
A OceanPact fechou com a Trident Energy do Brasil um contrato superior a R$ 1 bilhão para descomissionar a infraestrutura submarina dos sistemas remanescentes das plataformas P-07, P-12 e P-15, na Bacia de Campos.
O projeto contempla engenharia, mapeamento, retirada de linhas flexíveis e equipamentos submarinos, cortes, desconexões, desmontagem em terra e destinação final dos materiais.
A previsão divulgada pela empresa é de execução por até três anos. OceanPact
A própria estrutura da OceanPact mostra a dimensão que a companhia pretende alcançar nesse mercado. A empresa dispõe de unidades dedicadas a engenharia submarina e descomissionamento, atuando em projetos EPCI e EPRD, desde engenharia e instalação até retirada e destinação de ativos ao final da vida útil. OceanPact
Mais de R$ 700 milhões em monitoramento ambiental
O crescimento não está concentrado apenas em embarcações.
A OceanPact também assinou dois contratos com a Petrobras superiores a R$ 700 milhões para serviços de monitoramento ambiental marinho.
Um dos contratos tem duração de três anos e abrange áreas de interesse da Petrobras. O outro, com duração de um ano, é voltado especificamente para a Margem Equatorial.
Os trabalhos incluem coleta de amostras de água, sedimentos e biota, além da aquisição de dados meteorológicos e oceanográficos. OceanPact
Esse movimento mostra uma característica importante da estratégia da companhia: estar presente também nas etapas ambientais e oceanográficas que antecedem e acompanham grandes operações offshore.
Outros contratos reforçam a carteira
Além dos contratos bilionários, a companhia acumulou outros acordos relevantes.
Em 2025, por exemplo, a OceanPact assinou contrato de aproximadamente R$ 500 milhões para o afretamento da embarcação Rochedo de São Paulo, do tipo AHTS-TO, destinada a operações de apoio ao offloading ao longo da costa brasileira. OceanPact
Em outro contrato, três embarcações de resposta a emergências — Fernando de Noronha, Jim O’Brien e Macaé — foram contratadas por quatro anos por um valor total de R$ 650 milhões. OceanPact
Somados, esses contratos ajudam a explicar o avanço da carteira de longo prazo da empresa.
Porto do Açu: base pode chegar a 132 mil metros quadrados
Outra peça importante da expansão está em terra.
A OceanPact e o Porto do Açu firmaram acordo para ampliar a base da companhia no complexo portuário de São João da Barra, no Norte Fluminense.
A empresa ocupa atualmente cerca de 45 mil metros quadrados.
O acordo prevê a incorporação imediata de mais 27 mil metros quadrados e direito de preferência para outros 60 mil metros quadrados.
Na configuração máxima, a operação poderá alcançar aproximadamente 132 mil metros quadrados.
Também está prevista a possibilidade de implantação de até 300 metros de cais privativo para atendimento a embarcações offshore. OceanPact
A presença no Açu não é nova. A OceanPact opera no complexo desde 2014, utilizando o local como base de apoio para serviços marítimos, subsea e resposta a emergências ambientais. OceanPact
Dock Brasil coloca manutenção naval dentro do grupo
Em 2026, outro movimento ampliou a verticalização da companhia: a aquisição da Dock Brasil.
Localizado em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, o estaleiro atua com docagem, reparo, manutenção, modernização e conversão de embarcações.
A estrutura possui dique flutuante com capacidade para 5.800 toneladas e sistema syncrolift de até 3 mil toneladas.
Segundo a OceanPact, o estaleiro atende tanto a frota própria quanto clientes externos. OceanPact
O movimento tem impacto estratégico porque reduz a dependência de terceiros para intervenções em uma frota que ganhou enorme escala após a combinação com a CBO.
Uma operação cada vez mais integrada
A nova OceanPact reúne uma combinação pouco comum de capacidades.
A empresa pode atuar com:
- navegação e apoio marítimo;
- ROVs e operações submarinas;
- engenharia subsea;
- monitoramento ambiental;
- resposta a emergências;
- descomissionamento;
- infraestrutura portuária;
- manutenção e conversão naval.
A companhia informa ainda que a estrutura combinada opera 15 ROVs e mais de 5 mil colaboradores. OceanPact
Esse modelo permite que diferentes unidades participem de um mesmo projeto.
Em um processo de descomissionamento, por exemplo, a OceanPact pode utilizar embarcações próprias, ROVs, engenharia submarina, levantamentos geofísicos e oceanográficos, gestão ambiental e logística em terra.
Crescimento também traz desafio de mão de obra
Com tamanha expansão, surge outro ponto relevante para o mercado offshore brasileiro: pessoas.
Em entrevista divulgada pela própria OceanPact, o diretor comercial Erik Cunha afirmou que a falta de mão de obra já representa um desafio para a indústria de navegação.
Segundo ele, há necessidade de formar um grande contingente de profissionais para acompanhar o novo ciclo de expansão do setor. OceanPact
Para trabalhadores e profissionais que desejam entrar ou retornar ao mercado offshore, esse talvez seja um dos indicadores mais importantes.
Porque crescimento de frota, novos contratos, expansão portuária, ROVs e novos projetos significam também necessidade de técnicos, marítimos, engenheiros, operadores, profissionais de manutenção, segurança, meio ambiente e diversas outras especialidades.
Uma gigante brasileira em formação
O movimento da OceanPact mostra uma mudança de escala.
Não se trata mais apenas de uma companhia de apoio marítimo.
A combinação com a CBO, os contratos de bilhões de reais, a expansão no Porto do Açu, a entrada mais forte no descomissionamento, a presença na Margem Equatorial, a aquisição de infraestrutura naval e o avanço no subsea formam um ecossistema cada vez mais integrado.
Os números sintetizam essa transformação:
mais de 70 embarcações.
mais de 5 mil colaboradores.
mais de R$ 14 bilhões em contratos.
mais de R$ 4 bilhões de receita anual.
Em um momento em que o Brasil prepara novos projetos offshore, amplia a produção do pré-sal, avança no descomissionamento e avalia novas fronteiras exploratórias, a OceanPact construiu uma estrutura para participar de diferentes etapas dessa expansão.
Uma empresa brasileira crescendo no porto, na superfície e, literalmente, milhares de metros abaixo do mar.
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