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OceanPact ganha escala bilionária e consolida presença entre as gigantes brasileiras do offshore

Felipe Regiole•
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OceanPact ganha escala bilionária e consolida presença entre as gigantes brasileiras do offshore

Mais de 70 embarcações, mais de 5 mil colaboradores, receita anual superior a R$ 4 bilhões e uma carteira contratada acima de R$ 14 bilhões. Esses números ajudam a dimensionar o novo momento da OceanPact, companhia brasileira que vem ampliando sua presença em praticamente todas as frentes da indústria marítima e offshore.

O crescimento passa por contratos bilionários, expansão da frota, operações submarinas, descomissionamento, monitoramento ambiental, infraestrutura portuária e manutenção naval.

Em setembro de 2026, a OceanPact concluiu a combinação de negócios com a CBO, após aprovação do Cade e cumprimento das demais condições da operação. Com a integração, a unidade de navegação passou a se chamar OceanPact CBO.

Segundo a companhia, a estrutura combinada passou a operar 70 embarcações, empregando mais de 5 mil pessoas, com receita anual superior a R$ 4 bilhões e backlog contratado acima de R$ 14 bilhões. OceanPact


Contratos de R$ 3,2 bilhões para operações submarinas

Um dos maiores contratos recentes da companhia foi assinado com a Petrobras.

São quatro contratos que totalizam aproximadamente R$ 3,2 bilhões para afretamento, por quatro anos, dos RSVs Parcel do Bandolim, Parcel das Timbebas, Parcel das Paredes e Parcel dos Reis.

As embarcações serão empregadas em operações submarinas apoiadas por ROVs, incluindo inspeção, manutenção, instalação e remoção de equipamentos.

Os veículos submarinos remotamente operados têm capacidade para atuar em profundidades de até 3 mil metros.

Nesse modelo, a OceanPact será responsável não apenas pelas embarcações, mas também pela operação dos ROVs e das equipes envolvidas. OceanPact


Mais de R$ 1 bilhão em descomissionamento

Outro mercado que ganhou peso na estratégia da companhia é o descomissionamento offshore.

A OceanPact fechou com a Trident Energy do Brasil um contrato superior a R$ 1 bilhão para descomissionar a infraestrutura submarina dos sistemas remanescentes das plataformas P-07, P-12 e P-15, na Bacia de Campos.

O projeto contempla engenharia, mapeamento, retirada de linhas flexíveis e equipamentos submarinos, cortes, desconexões, desmontagem em terra e destinação final dos materiais.

A previsão divulgada pela empresa é de execução por até três anos. OceanPact

A própria estrutura da OceanPact mostra a dimensão que a companhia pretende alcançar nesse mercado. A empresa dispõe de unidades dedicadas a engenharia submarina e descomissionamento, atuando em projetos EPCI e EPRD, desde engenharia e instalação até retirada e destinação de ativos ao final da vida útil. OceanPact


Mais de R$ 700 milhões em monitoramento ambiental

O crescimento não está concentrado apenas em embarcações.

A OceanPact também assinou dois contratos com a Petrobras superiores a R$ 700 milhões para serviços de monitoramento ambiental marinho.

Um dos contratos tem duração de três anos e abrange áreas de interesse da Petrobras. O outro, com duração de um ano, é voltado especificamente para a Margem Equatorial.

Os trabalhos incluem coleta de amostras de água, sedimentos e biota, além da aquisição de dados meteorológicos e oceanográficos. OceanPact

Esse movimento mostra uma característica importante da estratégia da companhia: estar presente também nas etapas ambientais e oceanográficas que antecedem e acompanham grandes operações offshore.


Outros contratos reforçam a carteira

Além dos contratos bilionários, a companhia acumulou outros acordos relevantes.

Em 2025, por exemplo, a OceanPact assinou contrato de aproximadamente R$ 500 milhões para o afretamento da embarcação Rochedo de São Paulo, do tipo AHTS-TO, destinada a operações de apoio ao offloading ao longo da costa brasileira. OceanPact

Em outro contrato, três embarcações de resposta a emergências — Fernando de Noronha, Jim O’Brien e Macaé — foram contratadas por quatro anos por um valor total de R$ 650 milhões. OceanPact

Somados, esses contratos ajudam a explicar o avanço da carteira de longo prazo da empresa.


Porto do Açu: base pode chegar a 132 mil metros quadrados

Outra peça importante da expansão está em terra.

A OceanPact e o Porto do Açu firmaram acordo para ampliar a base da companhia no complexo portuário de São João da Barra, no Norte Fluminense.

A empresa ocupa atualmente cerca de 45 mil metros quadrados.

O acordo prevê a incorporação imediata de mais 27 mil metros quadrados e direito de preferência para outros 60 mil metros quadrados.

Na configuração máxima, a operação poderá alcançar aproximadamente 132 mil metros quadrados.

Também está prevista a possibilidade de implantação de até 300 metros de cais privativo para atendimento a embarcações offshore. OceanPact

A presença no Açu não é nova. A OceanPact opera no complexo desde 2014, utilizando o local como base de apoio para serviços marítimos, subsea e resposta a emergências ambientais. OceanPact


Dock Brasil coloca manutenção naval dentro do grupo

Em 2026, outro movimento ampliou a verticalização da companhia: a aquisição da Dock Brasil.

Localizado em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, o estaleiro atua com docagem, reparo, manutenção, modernização e conversão de embarcações.

A estrutura possui dique flutuante com capacidade para 5.800 toneladas e sistema syncrolift de até 3 mil toneladas.

Segundo a OceanPact, o estaleiro atende tanto a frota própria quanto clientes externos. OceanPact

O movimento tem impacto estratégico porque reduz a dependência de terceiros para intervenções em uma frota que ganhou enorme escala após a combinação com a CBO.


Uma operação cada vez mais integrada

A nova OceanPact reúne uma combinação pouco comum de capacidades.

A empresa pode atuar com:

  • navegação e apoio marítimo;
  • ROVs e operações submarinas;
  • engenharia subsea;
  • monitoramento ambiental;
  • resposta a emergências;
  • descomissionamento;
  • infraestrutura portuária;
  • manutenção e conversão naval.

A companhia informa ainda que a estrutura combinada opera 15 ROVs e mais de 5 mil colaboradores. OceanPact

Esse modelo permite que diferentes unidades participem de um mesmo projeto.

Em um processo de descomissionamento, por exemplo, a OceanPact pode utilizar embarcações próprias, ROVs, engenharia submarina, levantamentos geofísicos e oceanográficos, gestão ambiental e logística em terra.


Crescimento também traz desafio de mão de obra

Com tamanha expansão, surge outro ponto relevante para o mercado offshore brasileiro: pessoas.

Em entrevista divulgada pela própria OceanPact, o diretor comercial Erik Cunha afirmou que a falta de mão de obra já representa um desafio para a indústria de navegação.

Segundo ele, há necessidade de formar um grande contingente de profissionais para acompanhar o novo ciclo de expansão do setor. OceanPact

Para trabalhadores e profissionais que desejam entrar ou retornar ao mercado offshore, esse talvez seja um dos indicadores mais importantes.

Porque crescimento de frota, novos contratos, expansão portuária, ROVs e novos projetos significam também necessidade de técnicos, marítimos, engenheiros, operadores, profissionais de manutenção, segurança, meio ambiente e diversas outras especialidades.


Uma gigante brasileira em formação

O movimento da OceanPact mostra uma mudança de escala.

Não se trata mais apenas de uma companhia de apoio marítimo.

A combinação com a CBO, os contratos de bilhões de reais, a expansão no Porto do Açu, a entrada mais forte no descomissionamento, a presença na Margem Equatorial, a aquisição de infraestrutura naval e o avanço no subsea formam um ecossistema cada vez mais integrado.

Os números sintetizam essa transformação:

mais de 70 embarcações.

mais de 5 mil colaboradores.

mais de R$ 14 bilhões em contratos.

mais de R$ 4 bilhões de receita anual.

Em um momento em que o Brasil prepara novos projetos offshore, amplia a produção do pré-sal, avança no descomissionamento e avalia novas fronteiras exploratórias, a OceanPact construiu uma estrutura para participar de diferentes etapas dessa expansão.

Uma empresa brasileira crescendo no porto, na superfície e, literalmente, milhares de metros abaixo do mar.

Sobre o autor

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Felipe Regiole

Jornalista

Felipe Regiole é colaborador do Mundo Offshore.

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