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Bram Offshore acelera expansão no Brasil com Super AHTS, frota de mais de 70 embarcações e quase R$ 2 bilhões em novos navios híbridos

Thelmo Tonini (Amerikano)•
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Bram Offshore acelera expansão no Brasil com Super AHTS, frota de mais de 70 embarcações e quase R$ 2 bilhões em novos navios híbridos

Com mais de três décadas de atuação no país, a Bram Offshore se consolidou como uma das gigantes do apoio marítimo brasileiro. A empresa opera mais de 70 embarcações, reúne mais de 3 mil colaboradores e agora avança em uma nova fase de investimentos, construção naval e contratos de longo prazo.

Quem vê um AHTS em operação muitas vezes enxerga apenas uma grande embarcação de apoio. Mas, por trás de navios como o Bram Atlas, existe uma estrutura empresarial que ajuda a sustentar algumas das operações offshore mais complexas do Brasil.

A Bram Offshore iniciou sua trajetória brasileira em 1991, com a chegada da embarcação Damon Chouest. Mais de 30 anos depois, a companhia informa possuir mais de 70 embarcações em operação e mais de 3 mil colaboradores, atuando em petróleo, gás e também em projetos relacionados à energia renovável. A Bram é ainda a maior representante do Grupo Edison Chouest Offshore no Brasil, onde o grupo mantém outras oito empresas em operação.


Bram Atlas: um “Super AHTS” para operações críticas

Um dos símbolos dessa capacidade operacional é o Bram Atlas, embarcação brasileira construída em 2014 e classificada como offshore tug/supply ship. Registros marítimos indicam aproximadamente 96 metros de comprimento e 27 metros de boca. VesselFinder

Mas são as operações executadas pelo navio que ajudam a mostrar sua dimensão.

Em uma das campanhas divulgadas pela própria Bram, o Super AHTS Bram Atlas participou do processo de ancoragem do FPSO Sepetiba, da SBM Offshore. Na operação de hook-up, foram realizadas conexões de 11 linhas de ancoragem, com participação também de outras embarcações da companhia, como Bram Force e Bram Power. LinkedIn

O Atlas também participou de campanhas de lançamento de torpedos de ancoragem de 120 toneladas. Em 2024, há registro de sua atuação no lançamento desses equipamentos para a ancoragem do FPSO Maria Quitéria, instalado no Campo de Jubarte, na Bacia de Campos. LinkedIn

Posteriormente, Bram Atlas e Bram Titan aparecem associados à conexão das linhas do sistema de ancoragem do próprio Maria Quitéria, uma operação que mobilizou várias embarcações de apoio. LinkedIn

É justamente esse tipo de trabalho que diferencia um AHTS de grande porte. Segundo a Bram, essas embarcações são projetadas para operações como manuseio de âncoras, lançamento de torpedos, mobilização e desmobilização, ancoragem de plataformas, reboque e transporte de diferentes cargas offshore.


Mais de 70 embarcações e presença em diferentes segmentos

A frota da Bram não se limita aos grandes AHTSs.

A empresa mantém embarcações de diversas categorias, entre elas:

  • AHTS — Anchor Handling Towing Supply;
  • PSV — Platform Supply Vessel;
  • OSRV — Oil Spill Response Vessel;
  • RSV e outras embarcações especializadas em suporte offshore.

Os PSVs transportam materiais, tubos, água, diesel, fluidos de perfuração, granéis e equipamentos essenciais para plataformas e sondas.

Já os OSRVs são embarcações preparadas para resposta a derramamentos de óleo, com sistemas de contenção, recolhimento e detecção. Bram Offshore

Essa diversificação permite à empresa atuar desde a logística diária de uma plataforma até algumas das etapas mais críticas da instalação de grandes sistemas de produção offshore.


R$ 1,981 bilhão para seis novos navios híbridos

O próximo capítulo da expansão da Bram já começou.

Em janeiro de 2026, o BNDES anunciou a aprovação de R$ 1,981 bilhão em financiamento para a Bram Offshore construir seis novas embarcações híbridas de apoio marítimo.

Os recursos são do Fundo da Marinha Mercante, e os navios serão construídos no Estaleiro Navship, em Navegantes, Santa Catarina. Agência de Notícias BNDES

Os seis novos navios serão PSVs destinados às operações offshore e fazem parte de contratos de longo prazo associados à Petrobras.

A tecnologia também chama atenção.

As novas unidades terão sistema de propulsão híbrida, combinando motores elétricos e baterias com geradores capazes de utilizar diesel ou biodiesel. A proposta é reduzir o consumo de combustível e as emissões principalmente nas fases em que a embarcação necessita de menor potência.


Contratos de R$ 16,5 bilhões

A construção desses seis navios faz parte de um acordo ainda maior.

Em dezembro de 2024, a Petrobras assinou contratos com Bram Offshore e Starnav para construção e afretamento de 12 PSVs, seis de cada companhia.

O valor total divulgado foi de:

R$ 16,5 bilhões.

Desse montante, cerca de:

R$ 5,2 bilhões serão destinados à construção naval no Brasil.

Os contratos estabelecem até quatro anos para mobilização e construção, seguidos por 12 anos de operação, além de exigirem pelo menos 40% de conteúdo local durante a fase de construção. Agência

Isso significa que não estamos falando apenas da compra de novos barcos.

Estamos falando de contratos capazes de gerar atividade industrial, demanda por fornecedores, empregos em estaleiros e uma cadeia de serviços que deverá permanecer ativa durante muitos anos.


Seis contratos da Bram superam R$ 8 bilhões

Documentação do Tribunal de Contas da União detalha os contratos dos PSVs.

Os contratos atribuídos à Bram aparecem com valor aproximado de R$ 1,377 bilhão por embarcação. Pesquisa TCU

Considerando os seis contratos, o conjunto relacionado à companhia fica na casa de:

R$ 8,26 bilhões

Esse valor não representa apenas o custo de construção dos navios, mas o conjunto contratual de construção, disponibilização e operação ao longo do período previsto.

É por isso que o financiamento de quase R$ 2 bilhões anunciado pelo BNDES precisa ser separado do valor global dos contratos.

R$ 1,981 bilhão é o financiamento aprovado para construção dos seis navios da Bram.

Cerca de R$ 8,26 bilhões correspondem ao valor agregado dos seis contratos associados à empresa.

E R$ 16,5 bilhões representam os 12 contratos de Bram e Starnav somados.


Bram também conquista contratos de OSRV

A expansão não está restrita aos novos PSVs.

Documentos analisados pelo TCU mostram que a Bram também conquistou dois contratos para embarcações OSRV — Oil Spill Response Vessel.

Cada contrato aparece no valor de aproximadamente:

R$ 243,9 milhões.

Somados, chegam a aproximadamente:

R$ 487,8 milhões.

Os seis contratos do processo de OSRV foram assinados em fevereiro de 2025, com dois deles destinados à Bram Offshore. Pesquisa TCU

Isso reforça a estratégia de manter uma frota diversificada, atendendo diferentes etapas da operação marítima.


Navship: 240 mil metros quadrados de indústria naval

Outro ativo fundamental dessa estrutura é o Estaleiro Navship, pertencente ao ecossistema do Grupo Chouest.

Localizado em Navegantes, Santa Catarina, o estaleiro ocupa aproximadamente:

240 mil m².

De acordo com a Bram, o Navship já entregou 43 embarcações, incluindo 38 unidades de apoio marítimo, entre PSVs, AHTSs, WSVs e RSVs, além de docas flutuantes e outras embarcações especializadas. Bram Offshore

É justamente nesse complexo que serão construídos os seis novos PSVs híbridos contratados pela Bram.

Isso coloca a empresa não apenas como operadora de navios, mas como integrante de uma estrutura industrial verticalizada que envolve construção naval, manutenção, engenharia, logística e serviços submarinos.


Mais de 25 ROVs no Brasil

A integração com o Grupo Edison Chouest amplia ainda mais esse alcance.

A C-Innovation, empresa de serviços submarinos ligada ao grupo, opera mais de 25 ROVs no Brasil, segundo informações institucionais da própria Bram.

Esses equipamentos são empregados em atividades como intervenção em poços, desenvolvimento de campos submarinos, construção subsea e descomissionamento. Bram Offshore

É uma estrutura que conecta navio, engenharia, estaleiro, logística e tecnologia submarina.


Uma companhia posicionada para o próximo ciclo offshore brasileiro

Os números ajudam a entender por que a Bram ocupa uma posição estratégica no atual ciclo de expansão offshore.

O Brasil continua instalando novas unidades de produção, especialmente no pré-sal. Cada novo FPSO exige uma extensa cadeia de apoio envolvendo transporte de cargas, movimentação de âncoras, instalação de sistemas submarinos, resposta a emergências, logística marítima, manutenção e diversas embarcações especializadas.

Nesse cenário, empresas que possuem escala, frota diversificada, estrutura industrial própria e capacidade de executar contratos de longo prazo chegam em posição privilegiada.

E a Bram parece estar preparando justamente essa estrutura.

São mais de 70 embarcações, mais de 3 mil trabalhadores, novos contratos bilionários, seis PSVs híbridos em construção e uma estrutura integrada ao Grupo Edison Chouest que vai muito além da operação de barcos. Bram Offshore


Dos Super AHTSs aos navios híbridos

Talvez o Bram Atlas seja a melhor imagem para resumir essa transformação.

De um lado está o “Super AHTS”: força, capacidade de reboque, instalação de sistemas de ancoragem e operações pesadas no mar.

Do outro estão os novos PSVs híbridos: eficiência energética, baterias, redução de emissões e contratos de longa duração.

Entre os dois está uma empresa que começou sua história brasileira com uma única embarcação em 1991 e hoje opera uma das maiores estruturas de apoio marítimo do país. Bram Offshore

Para quem acompanha a expansão do petróleo brasileiro, a indústria naval e os novos projetos offshore, vale guardar esse nome:

Bram Offshore.

Porque os próximos anos prometem colocar ainda mais embarcações, investimentos, tecnologia e empregos no mar brasileiro.

Sobre o autor

Amerikano
Thelmo Tonini (Amerikano)

Diretor de criação

Thelmo Tonini, conhecido como “Amerikano”, é criador do Mundo Offshore e uma das principais vozes da indústria de petróleo e energia no Brasil. Com milhões de visualizações nas redes, transforma temas complexos do setor em conteúdos acessíveis, diretos e impactantes, conectando profissionais, empresas e curiosos sobre o universo offshore..

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